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Transtorno Bipolar e a Mulher







Nas últimas décadas, o estudo das diferenças fisiológicas e patológicas entre mulheres e homens tem sido reconhecido como fundamental para a compreensão geral dos diversos tipos de adoecimento, inclusive o mental, e para a orientação de seu tratamento.

Embora mulheres e homens apresentem prevalências semelhantes para o transtorno bipolar do tipo I, parecem existir diferenças entre os sexos quanto ao curso da doença. Mulheres têm risco maior de desenvolver ciclagem rápida caracterizada por quatro ou mais episódios afetivos em um ano (Leibenluft, 1996a) e, possivelmente, mania mista, além de maior número de episódios depressivos e episódios depressivos mais longos. Também parece haver risco maior de início tardio da doença, entre 45 e 49 anos, para as mulheres (Leibenluft, 1996a; Arnold, 2003).

Enquanto crianças ou adolescentes, as meninas apresentam o transtorno bipolar mais vezes que os meninos. Os meninos recebem o diagnóstico ainda durante a infância, portanto são diagnosticados mais cedo  do que as meninas. Um dos primeiros desafios enfrentados pelas meninas com transtorno bipolar é o  diagnostico correto.  O que significa isso?

Uma das coisas que se pode dizer é que a doença pode ser negligenciada em algumas garotas ou confundida com outra condição, tal como depressão unipolar. Se o transtorno bipolar começa por volta do início de adolescência da menina, os pais podem pensar que ela só está tendo problemas por causa das mudanças em seus hormônios relacionados ao seu ciclo mensal. 

Outra razão que pode ser mais difícil para as meninas ao seu diagnosticado – é a maneira de lidar com suas emoções. As meninas são mais propensas a internalizar emoções. Isso significa que, por vezes, manter as coisas dentro de si mesmas ou chorar sozinhas em seus quartos.  Mas um rapaz pode ter maior probabilidade de apresentar sintomas mais externamente, o que poderia conduzir a um diagnóstico mais rápido.

A presença mais freqüente de sintomas/episódios depressivos seria responsável, pelo menos em parte, pelo uso maior de antidepressivos por mulheres (Leibenluft, 1996a), muitas vezes sem a utilização simultânea de estabilizador do humor, o que poderia contribuir para um risco maior de episódios maníacos induzidos por antidepressivos e para a ciclagem rápida (Arnold, 2003). Mulheres seguem com o diagnóstico errado de depressão unipolar por aproximadamente dois anos mais que os homens e iniciam tratamento de manutenção com lítio 5,5 anos mais tarde (Arnold, 2003)

A relação entre sintomas afetivos e o ciclo menstrual em mulheres com transtorno bipolar ainda não está esclarecida (Leibenluft, 1996a), assim como a influência da puberdade, da gravidez e da menopausa.

A gravidez não representa proteção contra doenças mentais ou aumenta seu risco (Arnold, 2003). Existe um risco aumentado de episódios de humor no puerpério e, na verdade, em nenhuma outra época ocorre risco maior, sobretudo se há história de episódios puerperais prévios.

Referencia Bibliografica

ARNOLD, L.M. - Gender Differences in Bipolar Disorder. Psychiatr Clin North Am 26: 595-620, 2003.

LEIBENLUFT, L. - Women with Bipolar Illness: Clinical and Research Issues. Am J Psychiatry 153: 163-173, 1996a.    

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